”Nascido no estado do Rio Grande do Norte em 1928, passando a adolescência e a juventude em Israel, Abraham Palatnik retorna ao Brasil aos 20 anos de idade, expondo aos 23 anos de idade na 1a Bienal Internacional de São Paulo, como pioneiro da Arte Cinética brasileira.”
Enciclopédia Itaú Cultural
Hoje, dia 9 de maio, em meio a crise mundial, é que Abraham Palatnik fechou os olhos para sempre como corpo-presente. No entanto, a luz de sua produção e sua existência como autor continua a iluminar caminhos de artistas novatos metidos a inventores, das futuras gerações de aspirantes da história da arte. Foi em 2017 que me conheci a obra ” Aparelho Cinecromático ” de 1958. Aquela obra me instigou de tal forma que mesmo as séries mais famosas do Ãcone da Arte Cinética brasileira (Objetos Cinéticos) não projetara o mesmo leque de possibilidades da arte da luz moderna.

Em 2018, ainda na universidade, convergiram-se meus estudos do trabalho de Abraham com a disciplina de História da Arte Brasileira: Contemporaneidade ministrada pela Prof. Dr. Regilene Sarzi Ribeiro, que me proporcionou uma das melhores aulas durante a graduação, além de ser uma de minhas mentoras. No mesmo ano, eu tive certeza que tentaria conversar com Abraham. Foi um ano depois, apenas, que contatei seu filho e com toda educação do mundo, fui informado que devido a seu estado de saúde não seria possÃvel marcar uma conversa. Mas ter dito para seu filho o quanto o pai é uma figura revolucionária na arte brasileira, já foi parte dos emails mais emocionantes que troquei. Fãs se emocionam fácil. Queria ter dito como o Aparelho Cinecromático foi visionário.

Escrevi na época um paper para a disciplina da Professora R.R. Sarzi, nomeado: ”uma análise da atemporalidade interdisciplinar da arte cinética de Abraham Palatnik: Da pintura cinética ao corpo cinético”. Minha homenagem, hoje, a este artista, é dada através deste paper nunca publicado formalmente:
A caracterÃstica do movimento como corpo do objeto artÃstico, fora enfim concretizado porAbraham Palatnik, inventor de obras cinecromáticas, pertencente ao movimento da Arte Cinética. ‘’A arte cinética significa arte que envolve movimento’’(BARRETT, 1991, p.150). Derivada do grego, κίνησις (kinesis, ‘’movimento, ação’) assim referenciada em contexto internacional como Kinetic Art. A representação do movimento, do momento e do tempo, por meio da simulação ou ilusão do mesmo não compõe a obra cinética, pois esta é em si e per si, o movimento genuÃno.
Vanessa Pavelski da Gama, 2018.
Assim como diamantes materializam a luz e a praticamente eternizam em tamanha dureza elementar e valor para a humanidade, é que Abraham se perpetuará através da história da arte brasileira e mundial, como polimata moderno. Descanse em paz, e desejo a sua famÃlia paz e conforto neste momento, acima da arte, humano.
Por Vannie Gama, 9 de Março de 2020.
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